O Pai Nosso: O correto é Orar ou Rezar?

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“Entrar em contato direto com Deus”, “conversar com Deus”, “uma forma de união com Deus”. Estas definições pertencem a múltiplas respostas dadas a quem pergunta sobre o que é orar. Cada uma delas é igualmente correta, se considerarmos a única vez que Jesus ensinou aos seus discípulos uma forma de orar bem particular, o Pai nosso. Não é UMA oração que ele ensinou, senão uma maneira de orar. Vejamos a estrutura da oração:

Conheça melhor o Pai Nosso

  • Pai: Jesus apresenta Deus como um pai bom, não qualquer um: “que pai há entre vocês que, se seu filho pede um peixe, em lugar de peixe dá uma serpente… Se vocês sendo maus sabem dar coisas boas aos seus filhos, quanto mais o pai dará o Espirito Santo ao que o perca” (Lc. 11, 11-13).
  • Santificado seja o vosso nome: o tetragrama sagrado YHVH, quer dizer: Aquele que É. Não é alguém que foi, senão, que sempre é. A palavra Santo provem do hebraico kadosh, que quer dizer, Totalmente Outro. De modo que Santo é aquele que não é ordinário. É radicalmente distinto a nós.
  • Venha a nós o vosso reino: Lc. 15. 15-24 coloca em boca de Jesus uma breve definição do que é Reino de Deus: um banquete fastuoso, onde todos são convidados. Nessa parte da oração, se pede a Deus nos convidar nesse banquete onde ninguém é excluído, só aquele que não quer entrar.
  • Seja feita a vossa vontade, assim na terra, como no céu: Além de ser um pedido, onde reconhecemos que dele provem tudo, é um ato de fé, onde nos colocamos voluntariamente a mercê dele, pois confiamos que ele tem o poder sobre tudo, o resultado da vontade dele sempre será em favor de todos nós.
  • O pão nosso de cada dia nos dai hoje: lembremos que chamamos a Deus de Pai, e nós, consequentemente, somos filhos dele. Pedimos o que precisamos para o nosso dia-a-dia. Se ele veste as aves do céu e a flores do campo, como não o fará com vocês? (Mt. 7,30).
  • Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos têm ofendido: Não precisamos ler a Bíblia para reconhecer aqui uma condição auto imposta: se eu não perdoar, não me perdoe. Perdoar como perdoamos é: na mesma medida que eu perdoo, me perdoe.
  • Não nos deixes cair na tentação: cuidar dos passos dos seus filhos é tarefa do pai, mas não de tomar decisões por eles. Com esse pedido pedimos força para que a vontade de fazer o bem, seja sempre o nosso motor de vida.
  • Livrai-nos do mal: Não se refere a “aquele que faz o mal”, mas sim da maldade. Por mais que escolhemos nossas amizades, cada um tem dentro de si, capacidade para obrar bem ou não, mesmo os mais fortes, terminam fazendo o que não querem nem devem fazer. Todos nós somos propensos a pecar e ser vítimas do pecado, por isso pedimos no final da oração ser librados do mal.

O Pai nosso é uma forma de orar com a qual entramos em contato com Deus: reconhecemos que ele é Deus, louvamos o nome dele, pedimos o que precisamos: trabalho, vestimenta, comida… também pedimos força para fazer o bem e não nos deixar fazer o mal e livrar-nos dele.

Rezar é simplesmente repetir uma fórmula, enquanto que orar é tudo o que dizemos no início. Oramos com o pai nosso quando interiorizamos cada uma das partes, e rezamos quando o repetimos sem devoção.

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