Em direção à maturidade cristã

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Tudo nas Escrituras aponta para tempo e eternidade. A operação de Deus em nós não é completada nesta vida. Devemos dia após dia buscar a maturidade cristã.

Já vimos que o cristianismo autêntico não é apenas uma “coroa no céu, no futuro”; é mais que isso. Realmente, ele é, de forma magnífica, apropriado para nossa vida aqui na terra, no presente, com todas as dificuldades e problemas, com suas alegrias e tristezas. Mas ainda há mais. O apóstolo Paulo encontra nele outro motivo para confiança e encorajamento: “Por isso não desanimamos: pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que não se vêem são eternas” (II Co 4:16-18). Ele afirma claramente que o que estamos passando agora tem a finalidade de preparar-nos para algo que está “acima de toda comparação”. O que Paulo está querendo dizer é algo mais ou menos assim: “envelheça comigo! O melhor ainda está para vir, a última parte da vida, em função da qual existiu a primeira.” Esta é a esperança cristã. Não se trata simplesmente de aguardar a vida pós-túmulo; é mais que isso. Tudo que nos acontece nesta vida acha-se diretamente relacionado com o que está para vir – na verdade, está-nos preparando para esse porvir. Portanto, nada do que se passa em nossa vida atual é inútil ou sem propósito; é necessário ao atingimento do alvo supremo.

A maturidade cristã

O apóstolo apresenta três aspectos de nossa existência atual que indicam algo de muito grandioso está para vir. Primeiramente, a renovação diária de nosso homem interior. “Mesmo que o nosso exterior se corrompa, contudo nosso homem interior se renova de dia em dia”. O contraste marcante aqui apresentado é entre os efeitos do envelhecimento sobre o corpo, que apontam uma diminuição de nossas forças e a aproximação da morte, com o aumento da sabedoria e o amadurecimento do amor, que caracterizam o espírito daquele que anda com Deus. Existe uma beleza na velhice santa, que a juventude desconhece. O espírito se alarga e torna-se mais sereno, embora o corpo enfraqueça e sinta mais e mais dores.

O que está acontecendo? O homem exterior está perdendo a batalha; a força da juventude está diminuindo e começa a falhar; a noite vem chegando. Mas o homem interior está crescendo em direção à luz, aumentando em força e beleza; o dia está próximo. Esta renovação interior nada mais é que outra forma de descrever a nova aliança em ação. “Tudo vem de Deus; nada vem de mim.”

As Provações têm eterno peso de Glória

Além disso, o apóstolo declara firmemente que são nossas provações e dificuldades que produzem a glória que há de vir. “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação.” Certamente, o apóstolo deve mencionar isto com um brilho especial nos olhos, “nossa leve e momentânea tribulação”, em vista do que ele descreveu algum tempo depois: “Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um; fui três vezes açoitado com varas, uma vez apedrejado, em naufrágio, três vezes, uma noite e um dia passei no abismo; em jornadas muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de assaltantes, em perigos entre patrícios, em perigo entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em trabalhos e fadigas, em vigílias muitas vezes; em fome e sede, em jejuns muitas vezes; em frio e nudez.” (II Co 11: 24-27).

É a isso que Paulo chama de “leve e momentânea tribulação”. Mas ele não estava se queixando. Ele não deu importância a essas coisas, simplesmente porque estava conscientizado de algo que muitas vezes esquecemos. Ele sabia que nossas penosas tribulações, na verdade, estavam preparando o “eterno peso de glória” que devia vir depois. Notemos que ele não diz que essas provações estavam produzindo a glória!

Aguardando o Melhor

Bem, e o que está para vir? Como se fosse um bom cozinheiro, Paulo está aguçando nosso apetite, estimulando nossos anseios, com referências veladas a uma admirável experiência que ainda está para vir. No capítulo 5 de II Coríntios ele descreve o peso de glória em termos mais explícitos: “Sabemos, que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus. E, por isso, neste tabernáculo gememos, aspirando por ser revestidos da nossa habitação celestial; bem que somos encontrados vestidos e não nus. Pois, na verdade, os que estamos neste tabernáculo gememos angustiados, não por querermos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida.” (II Co 5: 1-4). “Da parte de Deus um edifício… casa não feita por mãos”; “…nossa habilitação celestial”. A que se referem estas expressões? Ele faz um contraste claro com “este tabernáculo”, obviamente, o corpo atual, de carne e ossos. Mas antes de examinarmos mais atentamente essas frases, notemos como Paulo é preciso e definido. Vejamos como ele inicia: “Sabemos…” Não há nada de incerteza em suas palavras.

Hoje em dia, como também no passado, há muitas pessoas tentando descobrir o que vem depois da morte. Falta maturidade cristã para que as pessoas entendam atrás do Espírito Santo. Alguns crêem que o espírito do homem parte, para voltar depois reencarnado em outra vida, em outro ser humano. As provas com que defendem essa idéia, geralmente, são o testemunho de certos indivíduos (muitas vezes, dados por intermédio de um médium ou de uma pessoa em estado hipnótico), que aparentemente recordam-se de episódios de sua existência anterior. Mas devemos lembrar que a Bíblia está constantemente nos alertando para a existência de “espíritos enganadores” ou demônios, que não têm o mínimo escrúpulo em se fazerem passar por espíritos mortos. Tais espíritos se deleitam em enganar os seres humanos. Outros ensinam que o conhecimento do futuro está fora de nosso alcance, e que a maneira certa de encarar a vida é considerar tudo como tentativa, e que não podemos tomar nada como certo. Mas Jesus e os apóstolos nunca falaram assim. Cristo afirmou que Ele veio para nos revelar a verdade, para que pudéssemos conhecê-la. Várias vezes, o apóstolo João afirma a mesma coisa quando diz: “Estas coisas foram escritas para que saibais.” E aqui Paulo diz: “Sabemos certas coisas acerca da vida e da morte.”

Agradando a Deus

“É por isso que também nos esforçamos, quer presentes, quer ausentes, para lhe ser agradáveis” (II Co 5:9). Agradar a Deus é a ocupação própria do crente, tanto no tempo como na eternidade. Aqui estamos aprendendo; lá faremos isso com perfeição. Para se agradar a Deus sempre é necessário ter fé, pois sem fé é impossível agradar-Lhe (Hb 11:6). Como já vimos, viver pela fé é viver com base na nova aliança, continuamente aceitando o julgamento da cruz com respeito à carne e preferindo agir na dependência da vida ressurrecta do Espírito. “Porque nós é que somos a circuncisão”, escreve Paulo aos filipenses, “nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne.” (Fp 3:3).

É importante ter sempre em mente que “tudo vem de Deus”. Se desempenharmos as mais simples atividades com essa mentalidade, com certeza estaremos agradando ao Senhor infinitamente e vivendo a maturidade cristã. Lembremo-nos do exemplo da oferta da viúva e dos pães e peixes. Esses episódios mostram o oferecimento de um objeto simples a Deus, na expectativa de que Ele fizesse alguma coisa. Isso é fé. É isso que agrada a Deus.

Enviado por: Robson do Nascimento

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